Neuropsicologia


“Deveria ser sabido que é ele e nenhum outro que não o cérebro, a fonte do nosso prazer, alegria, riso e diversão, assim como do nosso pesar, dor, ansiedade e lágrimas. É especificamente o órgão que nos habilita a pensar, ver e ouvir, a distinguir o feio do belo, o mau do bom, o prazer do desprazer. O cérebro também é a sede da loucura e do delírio, dos medos e sustos que nos tomam, muitas vezes à noite, mas às vezes também de dia; é onde jaz a causa da insônia e do sonambulismo, dos pensamentos que não ocorrerão, deveres esquecidos e excentricidades”. Hipócrates (460-379 AC)

A Neuropsicologia constitui uma área de conhecimento e prática clínica que tem como objetivo básico estabelecer a relação entre comportamento e funcionamento mental.

PARA QUE SERVE A AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA?

A avaliação neuropsicológica busca investigar quais as funções cognitivas do indivíduo que estão preservadas e as que estão comprometidas, através de instrumentos que irão avaliar o desempenho de habilidades como linguagem, atenção, percepção, raciocínio, abstração, memória, aprendizagem, velocidade do processamento da informação, visuoconstrução, funções executivas, afeto e habilidades motoras.
Uma vez avaliadas as fraquezas e fortalezas do indivíduo através da bateria de testes, cruza-se as informações com os comprometimentos funcionais da atividade elétrica identificados na avaliação por neurofeedback, sendo possível a criação de um plano de intervenção e (re)habilitação para o indivíduo.

DESVENDENDO O CÉREBRO

LOBO FRONTAL

Os lobos frontais de ambos os hemisférios tem a função da atenção, concentração, memória, empatia, consciência social, caráter (juízo de valores), iniciativa, motivação e planejamento, portanto são os responsáveis pelo processamento das funções executivas da cognição e pela regulação tanto da expressão emocional quanto da personalidade. Sendo assim, lesões nos lobos frontais acarretam em infantilidade, desrespeito social, jocosidade inadequada, irresponsabilidade, impaciência, redução da iniciativa (curiosidade e espontaneidade), imediatismo, ausência de auto crítica, da capacidade de antecipar situações, julgar consequências, inflexibilidade, prejuízo do raciocínio abstrato e da criatividade, prejuízo na capacidade de resolver problemas.

LOBO TEMPORAL

Os lobos temporais estão envolvidos com o processamento auditivo, o reconhecimento de palavras, a memória de curto prazo, a leitura, a capacidade de entender a linguagem (análise e síntese dos sons da fala), a percepção de informações sonoras e o reconhecimento de faces e objetos. Uma lesão do lobo temporal direito tende a resultar na inabilidade de reconhecer sons (Agnosia auditivas), músicas (Amusia sensorial) e formas. Já uma lesão ao lobo temporal esquerdo interfere na capacidade de diferenciar claramente entre sons da fala, resultando tanto na compreensão da linguagem (afasia sensorial) como impede que o indivíduo se expresse através da linguagem.

LOBO PARIETAL

Os lobos parietais tem como função a matemática, a nomeação de objetos, a consciência e orientação espacial, a capacidade de construir sentenças e de uma gramática complexa, o processamento de aferências sensoriais e sua descriminação (tato, temperatura), inclusive as somáticas como a dor. Por serem nos lobos parietais que a propriocepção se dá, alterações nessas áreas podem gerar sintomas como percepção crônica de dores, dificuldades em reconhecer partes do corpo ou de reconhecer a si mesmo. Lesões nos lobos parietais podem resultar em apraxias (incapacidade de realização de atos motores), asterognosia (incapacidade de reconhecer objetos pelo tato), apraxia ideomotora (incapacidade de realizar atos motores sob o comando verbal), apraxia construtiva e ideatória.

LOBO OCCIPITAL

Nos lobos occipitais que se dá o processamento das funções da visão e de sua respectiva interpretação, estando associado diretamente ao córtex visual. Portanto, lesões nos lobos occipitais, acarretam em distúrbios do processamento de informações visuais: dificuldades na capacidade de diferenciar cores, alucinações e ilusões visuais, dificuldade em reconhecer objetos, agnosia visual (o indivíduo é incapaz não apenas de perceber formas visuais inteiras mas também de desenhá-las) agnosia para movimento, motricidade ocular, visão tridimensional, percepção de profundidade.