
Psicoterapia - A origem
Quando a origem do sofrimento está antes das palavras
Há experiências que marcam profundamente a vida emocional e não aconteceram na infância verbal, nem podem ser acessadas pela memória consciente.
Elas se formam antes das palavras — durante a gestação, no nascimento e nos primeiros momentos de vida.
A psicoterapia para traumas pré e perinatais parte de um princípio essencial: o corpo sente antes de pensar.
Mesmo sem linguagem, o sistema nervoso registra experiências de forma profunda por meio da memória implícita, uma memória celular, sensorial e emocional que permanece ativa ao longo da vida.
A origem dos traumas é mais precoce do que imaginamos!
Traumas pré e perinatais referem-se às experiências vividas desde a vida intrauterina, durante o parto e no período neonatal, quando o sistema nervoso ainda está em formação e é altamente sensível ao ambiente físico, emocional e relacional.
Nesse período, o bebê vive em total conexão com o corpo e o campo emocional da mãe. Situações como estresse intenso, medo, luto, conflitos emocionais, rejeição, ambivalência em relação à gestação, doenças, internações, intervenções médicas invasivas, sofrimento fetal, partos difíceis ou separação precoce da mãe podem ser registradas como experiências de ameaça à vida ou ao vínculo.
Essas vivências não se organizam como lembranças narráveis, mas ficam inscritas no corpo como padrões de tensão, estados de alerta, respostas automáticas de defesa e emoções recorrentes.
Qual a origem dos traumas?


Como o trauma pré e perinatal se forma
Antes de existir pensamento, existe sensação.
O sistema nervoso do bebê aprende a se organizar a partir das experiências que encontra no ambiente intrauterino e no nascimento. Quando essas experiências são vividas como ameaçadoras, o organismo desenvolve estratégias de sobrevivência que permanecem ativas mesmo quando o perigo já passou.
Esses registros ficam armazenados na memória implícita, que não depende de palavras para existir. É por isso que muitas pessoas vivem sintomas intensos sem conseguir identificar uma causa específica em sua história consciente.
Mais tarde, na vida adulta, esses traumas podem se manifestar como:
ansiedade sem causa aparente
sensação constante de ameaça ou insegurança
dificuldades de vínculo, apego ou confiança
padrões repetitivos de abandono, rejeição ou controle
tensão corporal crônica ou sintomas psicossomáticos
sensação de não pertencimento ou desconexão do próprio corpo
A perda de gêmeos e seus impactos emocionais
Um aspecto frequentemente invisível, mas clinicamente relevante, é a perda de um gêmeo durante a gestação, fenômeno conhecido como síndrome do gêmeo sobrevivente. Estima-se que uma parcela significativa das gestações se inicie como gestação múltipla e que, segundo algumas hipóteses clínicas e embriológicas, até cerca de 60% da população possa ter vivenciado, em algum nível, a experiência de ser um gêmeo sobrevivente, muitas vezes sem qualquer registro consciente desse fato.
Em muitos casos, essa perda ocorre muito precocemente e pode sequer ser percebida conscientemente pela mãe ou identificada em exames gestacionais. No entanto, para o bebê que permanece, essa experiência pode ser vivida como uma ruptura abrupta de vínculo, registrada em um nível profundo e pré-verbal do sistema nervoso.
Ao longo da vida, esse registro pode se manifestar como sensação persistente de vazio, solidão profunda, medo de perder o outro, dificuldades de separação, raiva, culpa inconsciente ou uma busca constante por algo que não se consegue nomear.
O corpo lembra aquilo que a mente não consegue contar.


A Saudade do Lar Divino
Na psicologia pré e perinatal, observa-se que alguns sofrimentos humanos não se organizam apenas a partir de eventos biográficos conhecidos, mas de experiências muito precoces relacionadas à transição para a vida.
Diversos autores que estudam o período pré-natal e o nascimento descrevem um fenômeno recorrente: uma sensação profunda de deslocamento, como se algo essencial tivesse sido deixado para trás ao nascer. Essa vivência tem sido chamada, em linguagem clínica e simbólica, de saudade do lar divino.
Não se trata de uma crença religiosa, mas de uma experiência existencial primária, registrada no corpo e no sistema nervoso em um momento em que ainda não havia pensamento, linguagem ou identidade formada.
Durante a gestação, o bebê vive em um estado de continuidade absoluta — envolto, sustentado, regulado por um ambiente que não exige adaptação ativa. O nascimento representa a primeira grande ruptura dessa continuidade. Para alguns sistemas nervosos, especialmente os mais sensíveis, essa transição pode ser vivida como uma perda profunda de pertencimento e unidade.
Ao longo da vida, essa saudade pode se expressar como uma sensação persistente de não estar em casa, um anseio por algo que não se consegue definir, uma nostalgia sem objeto, ou uma busca constante por estados de fusão, silêncio, transcendência ou retorno a uma sensação de origem.
Muitas pessoas descrevem essa experiência como um vazio existencial, outras como um chamado interior, e outras ainda como um cansaço profundo de existir no mundo da forma como ele se apresenta.
Do ponto de vista pré e perinatal, não se trata de patologia, mas de um registro precoce de separação, que pode ser integrado quando reconhecido e acolhido no corpo, no vínculo terapêutico e na experiência presente.
O trabalho psicoterapêutico não busca eliminar essa saudade, mas permitir que o sistema nervoso encontre novas formas de pertencimento, continuidade e segurança na vida atual — transformando o anseio difuso em presença, enraizamento e possibilidade de estar no mundo com mais suavidade.


Por que é possível acessar memórias tão precoces?
Porque o trauma não vive na memória narrativa — ele vive no corpo.
A neurociência e a psicologia do desenvolvimento confirmam que:
o sistema nervoso registra experiências desde a vida intrauterina
a memória implícita é anterior à linguagem
o corpo mantém registros emocionais mesmo sem lembrança consciente
Por isso, não é necessário lembrar para curar.
O processo terapêutico acontece por meio da escuta do corpo, das emoções e dos estados internos, permitindo que experiências primitivas sejam integradas com segurança no presente.


Nossa abordagem terapêutica
No Brain Healthy Institute, o trabalho com traumas é conduzido a partir de uma escuta profunda do corpo e do sistema nervoso, respeitando os limites, o ritmo e a singularidade de cada pessoa.
A abordagem é inspirada nos estudos do "pai" da psicologia pré e perinatal William Emerson, integrando psicologia do trauma, desenvolvimento humano e experiência clínica.
Não se trata de reviver o trauma, mas de permitir que o sistema nervoso complete processos que ficaram interrompidos, restaurando a sensação de segurança, continuidade e pertencimento.
Para quem essa abordagem é indicada?
Pessoas com ansiedade crônica ou sensação constante de ameaça
Dificuldades persistentes de vínculo e apego
Histórias de parto traumático, prematuridade ou separação precoce
Padrões repetitivos de abandono, rejeição ou controle
Sintomas emocionais sem causa aparente
Sensação de não pertencimento ou desconexão do corpo
Mulheres em processos de gestação, parto ou pós-parto
Pessoas em busca de reparação emocional profunda
Um cuidado que acontece no corpo e no vínculo
A reparação dos traumas mais precoces acontece quando o corpo sente que agora existe suporte, presença e continuidade.
Não é uma cura mental — é uma reorganização profunda do sistema nervoso e da experiência de existir

Quando a origem do sofrimento é muito antiga, o cuidado precisa ser profundo.
Se você sente que já compreendeu sua história, mas algo ainda pede reparação, este trabalho pode ser um caminho.


