Autismo Infantil: 5 Sinais Que Podem Passar Despercebidos

Conheça 5 sinais de autismo infantil que podem passar despercebidos e entenda quando uma avaliação especializada pode ajudar a compreender melhor cada criança.

AUTISMO

Fernanda B. Francah

8/18/20269 min read

Criança em sessão de Neurofeedback durante acompanhamento neurofuncional
Criança em sessão de Neurofeedback durante acompanhamento neurofuncional

Nem sempre os sinais do TEA são óbvios. Entenda comportamentos que podem parecer apenas timidez, personalidade ou uma fase do desenvolvimento.

“Ela é só tímida.”

“Ele é assim mesmo.”

“É uma fase.”

“Menina não tem essas coisas.”

Frases como essas são comuns quando uma criança apresenta comportamentos que parecem diferentes do esperado. Muitas vezes, porém, os pais percebem que existe alguma coisa que não conseguem explicar: uma dificuldade na comunicação, na interação com outras crianças, uma reação muito intensa a mudanças ou uma maneira diferente de brincar e se relacionar com o ambiente.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é justamente chamado de espectro porque pode se manifestar de formas muito diferentes.

Nem toda criança autista apresenta os sinais mais conhecidos. Algumas falam bastante, têm bom desempenho intelectual, demonstram interesse por outras pessoas e conseguem se adaptar a diferentes situações. Por isso, determinados sinais podem passar despercebidos ou ser interpretados apenas como características de personalidade.

Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que é o TEA e apresentar 5 sinais que podem merecer uma investigação mais cuidadosa.

Importante: apresentar um ou mais desses sinais não significa que uma criança tenha autismo. O diagnóstico depende de uma avaliação especializada que considere o conjunto do desenvolvimento e do comportamento da criança.

O QUE É O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)?

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que influencia a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e processa diferentes informações do ambiente.

O TEA não é causado por algo que os pais fizeram ou deixaram de fazer. Também não existe uma única causa responsável pelo autismo. Trata-se de uma condição complexa, influenciada por diferentes fatores do desenvolvimento.

A palavra “espectro” é importante porque não existe um único perfil de criança autista.

Algumas crianças podem apresentar dificuldades importantes de comunicação e necessitar de bastante suporte. Outras podem falar fluentemente, apresentar boa capacidade intelectual e ter dificuldades mais sutis, principalmente em situações sociais, sensoriais ou que exigem flexibilidade.

Por isso, conhecer diferentes formas de manifestação do TEA é importante para que sinais que merecem atenção não sejam simplesmente atribuídos a “timidez”, “teimosia”, “manha” ou “personalidade”.

5 SINAIS DE AUTISMO INFANTIL QUE PODEM PASSAR DESPERCEBIDOS

Existem sinais mais conhecidos do autismo, como dificuldades importantes na comunicação, na interação social e determinados comportamentos repetitivos.

Mas algumas características podem ser mais sutis.

Veja cinco exemplos que merecem atenção.

1. ELA FALA BEM, MAS TEM DIFICULDADE PARA ENTENDER ALGUMAS SITUAÇÕES SOCIAIS

Uma criança pode ter um vocabulário amplo, conversar bastante e apresentar boa compreensão de conteúdos escolares e, ainda assim, ter dificuldades em determinadas situações sociais.

Pode ser difícil para ela compreender:

  • ironias;

  • duplo sentido;

  • brincadeiras implícitas;

  • expressões que dependem do contexto;

  • o que outra pessoa está pensando ou sentindo;

  • regras sociais que não foram explicadas diretamente.

Às vezes, isso é interpretado como ingenuidade, falta de maturidade ou simplesmente uma característica da personalidade.

A questão não é apenas “ela fala bem?”, mas também “como ela utiliza a comunicação para se relacionar com outras pessoas?”

2. PEQUENAS MUDANÇAS DE ROTINA PODEM GERAR REAÇÕES MUITO INTENSAS

Algumas crianças precisam de bastante previsibilidade para se sentirem seguras.

Uma mudança que parece pequena para um adulto — trocar o caminho para a escola, mudar a ordem de uma atividade, substituir um alimento conhecido ou alterar um programa previamente combinado — pode provocar uma reação emocional muito intensa.

Isso nem sempre é simplesmente “manha” ou “teimosia”.

Para algumas crianças, a previsibilidade ajuda a organizar o ambiente e lidar com aquilo que está acontecendo ao seu redor.

Quando mudanças pequenas provocam sofrimento frequente e desproporcional, especialmente quando esse padrão aparece em diferentes situações, vale observar com mais atenção.

3. ELA TEM INTERESSES MUITO INTENSOS E ESPECÍFICOS

Algumas crianças demonstram um interesse extremamente intenso por determinados assuntos.

Elas podem passar muito tempo falando sobre um único tema, memorizar uma grande quantidade de informações sobre determinado assunto ou direcionar grande parte das brincadeiras e conversas para esse interesse.

Uma criança que sabe tudo sobre dinossauros, mapas, planetas, animais, trens ou determinado personagem pode simplesmente estar demonstrando uma curiosidade saudável.

O que merece atenção é a intensidade, a rigidez e o impacto desse interesse na vida cotidiana.

Quando a criança tem dificuldade de mudar de assunto, participar de outras atividades ou compartilhar seus interesses de maneira flexível com outras pessoas, esse padrão pode fazer parte das características observadas no TEA.

4. ELA SE COMPORTA DE UMA FORMA NA ESCOLA E DE OUTRA MUITO DIFERENTE EM CASA

Esse contraste pode confundir bastante as famílias.

Algumas crianças conseguem se adaptar às exigências de determinados ambientes e parecem funcionar muito bem na escola, mas chegam em casa extremamente cansadas, irritadas ou sobrecarregadas.

Os pais podem ouvir:

“Na escola ele é tão tranquilo.”

Enquanto em casa enfrentam crises, isolamento, irritabilidade ou dificuldade para lidar com pequenas demandas.

Esse contraste, sozinho, não significa autismo.

Mas quando existe uma diferença muito grande entre o comportamento apresentado em diferentes ambientes, vale investigar o que está acontecendo.

Em algumas pessoas autistas, estratégias de adaptação social — frequentemente chamadas de camuflagem ou mascaramento — podem esconder determinadas dificuldades em alguns contextos.

Esse fenômeno tem sido especialmente estudado em meninas e mulheres autistas, mas pode ocorrer de diferentes formas e não é exclusivo delas.

5. ELA FALA BASTANTE, MAS TEM DIFICULDADE EM MANTER UMA CONVERSA RECÍPROCA

Falar bastante não significa necessariamente ter facilidade para uma conversa social.

Algumas crianças conseguem falar longamente sobre seus assuntos preferidos, mas apresentam dificuldade para perceber:

  • quando é a vez do outro falar;

  • quando o assunto deixou de interessar ao interlocutor;

  • quando é necessário mudar de tema;

  • o que a outra pessoa gostaria de conversar;

  • como adaptar a comunicação à situação.

A dificuldade pode estar menos na quantidade de fala e mais na reciprocidade da comunicação.

É uma diferença sutil, mas importante.

POR QUE ALGUNS SINAIS PASSAM DESPERCEBIDOS?

O desenvolvimento infantil não acontece da mesma maneira para todas as crianças.

Além disso, algumas características podem aparecer com maior clareza apenas quando as demandas sociais aumentam.

Uma criança pode conseguir acompanhar determinadas situações enquanto está em um ambiente estruturado e apresentar dificuldades maiores quando precisa lidar com:

  • grupos de crianças;

  • mudanças inesperadas;

  • brincadeiras mais complexas;

  • conflitos entre colegas;

  • regras sociais não explícitas;

  • maior autonomia;

  • múltiplas demandas ao mesmo tempo.

Em meninas, algumas dificuldades podem permanecer menos evidentes por mais tempo. Estratégias de imitação e adaptação social podem contribuir para que determinadas características passem despercebidas.

Isso não significa que meninas e meninos apresentem necessariamente manifestações completamente diferentes. Significa que o modo como os sinais aparecem e são percebidos pode variar de uma criança para outra.

Por isso, o olhar dos pais, professores e profissionais que acompanham a criança é tão importante.

E OS SINAIS MAIS CONHECIDOS?

Os cinco sinais apresentados neste artigo não substituem a observação dos marcos do desenvolvimento.

Existem também sinais precoces que merecem atenção, como dificuldades importantes de comunicação social, ausência ou atraso de determinados gestos comunicativos, pouca resposta ao nome, dificuldade de compartilhar interesses e determinados padrões repetitivos de comportamento.

Instrumentos de rastreamento, como o M-CHAT-R/F, podem auxiliar profissionais na identificação de crianças que precisam de uma avaliação mais detalhada.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento de sinais de TEA na primeira infância, incluindo o uso do M-CHAT-R/F entre 16 e 30 meses como instrumento de rastreio.

É importante lembrar: rastreamento não é diagnóstico.

Um resultado de rastreamento indica se é necessário investigar melhor. O diagnóstico é realizado por meio de uma avaliação clínica abrangente.

MITOS E VERDADES SOBRE O AUTISMO INFANTIL

MITO: “Autismo tem cura.”

VERDADE: o TEA não é uma doença que possa ser simplesmente “curada”. É uma condição do neurodesenvolvimento. O acompanhamento adequado pode favorecer o desenvolvimento de habilidades, a autonomia, a comunicação, a autorregulação e a qualidade de vida, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

MITO: “Toda criança autista tem deficiência intelectual.”

VERDADE: o espectro autista é muito amplo.

Existem crianças autistas com diferentes níveis de capacidade intelectual, linguagem e autonomia. Algumas apresentam deficiência intelectual associada; outras não.

Cada criança precisa ser compreendida a partir de seu próprio perfil.

MITO: “Autismo só acontece em meninos.”

VERDADE: meninas também podem ser autistas.

Em algumas meninas, determinadas características podem ser menos evidentes ou compensadas por estratégias de adaptação social, o que pode contribuir para diagnósticos mais tardios.

MITO: “Se a criança olha nos olhos e fala bem, não pode ser autismo.”

VERDADE: contato visual e linguagem desenvolvida não descartam o TEA.

A avaliação considera o conjunto da comunicação social, da interação, dos comportamentos, dos interesses e da história do desenvolvimento.

RECONHECI ALGUNS DESSES SINAIS. E AGORA?

Reconhecer alguns dos comportamentos descritos neste artigo não significa que sua criança tenha TEA.

Muitos desses comportamentos podem aparecer em crianças que não são autistas e podem estar relacionados a diferentes aspectos do desenvolvimento.

O mais importante é observar:

Com que frequência isso acontece?

Em quais situações?

Desde quando?

Está interferindo na vida da criança?

Acontece em mais de um ambiente?

Existem outras características associadas?

Essas informações ajudam o profissional a compreender o quadro de forma mais completa.

O diagnóstico não deve ser baseado em uma lista de sinais encontrada na internet.,

COMO A BRAIN HEALTHY PODE AJUDAR?

Na Brain Healthy Institute, acreditamos que o processo começa pela avaliação, e não por um protocolo pronto.

Quando uma família procura ajuda, buscamos compreender a criança de forma ampla, considerando sua história, seu desenvolvimento, suas características atuais e as dificuldades relatadas pela família.

O processo pode envolver anamnese detalhada, história clínica e avaliação neurofuncional que fornece informações quantitativas sobre a atividade elétrica cerebral.

Essas informações não são utilizadas isoladamente para diagnosticar autismo.

O objetivo é integrar os diferentes dados disponíveis para compreender melhor o funcionamento daquela criança e, quando necessário, orientar estratégias de acompanhamento e treinamento.

E O NEUROFEEDBACK NO AUTISMO?

O Neurofeedback é uma abordagem de treinamento cerebral que, quando indicada após uma avaliação individualizada, pode ser utilizada para trabalhar determinados aspectos do funcionamento cerebral, como atenção e autorregulação.

Ele pode fazer parte de um plano de cuidado mais amplo, integrado às demais intervenções indicadas para a criança, como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e outras abordagens, conforme suas necessidades.

Na Brain Healthy, cada caso é analisado individualmente e o acompanhamento é realizado ao longo do processo, permitindo observar a evolução e ajustar as estratégias quando necessário.

💙 UM DEPOIMENTO REAL: A EXPERIÊNCIA DA FAMÍLIA DE LUCAS

Durante a pandemia, Graziela, mãe de Lucas, percebeu mudanças importantes no comportamento do filho, que havia recebido diagnóstico de TEA e TDAH.

Segundo seu relato, Lucas começou a se fechar cada vez mais, evitando sair de casa, ir ao parquinho, ao supermercado ou visitar familiares. Para ele, permanecer em casa era mais confortável e diminuía a necessidade de lidar com situações sociais.

Preocupada com esse isolamento, a família buscou alternativas e conheceu o Neurofeedback. Após uma avaliação, Lucas iniciou o treinamento na Brain Healthy Institute.

Graciela relata que, ao longo do processo, começou a perceber mudanças que considerou muito significativas: maior disposição para sair de casa, redução da rigidez, melhora do sono e maior contato visual.

Ela conta que Lucas, que costumava acordar diversas vezes durante a madrugada, passou a dormir a noite toda. Com o retorno às aulas, também percebeu uma evolução gradual na capacidade de enfrentar situações que anteriormente eram difíceis para ele.

Um dos momentos mais marcantes, segundo a mãe, foi vê-lo participar das atividades escolares e da educação física, algo que antes evitava por causa da dificuldade de socialização. Hoje, segundo seu relato, Lucas vai para a escola feliz, participa das aulas e demonstra entusiasmo em estar com os colegas.

Graciela também conta, emocionada, sobre uma apresentação escolar em que Lucas participou de duas músicas, dançou e se apresentou para o público — algo que, segundo ela, ele anteriormente não aceitava nem mesmo ensaiar.

“Hoje, ter o meu filho indo pra escola feliz todos os dias, assim, realmente não tem preço.”

Para a família, o processo representou uma mudança importante na rotina e na participação de Lucas em diferentes situações do dia a dia. Graciela conta que eles se sentem muito felizes com o caminho percorrido.

🎥 Quer conhecer a história completa?

Assista ao depoimento completo de Graciela e conheça, pelas palavras dela, como foi a experiência da família durante o processo de acompanhamento e treinamento de Lucas.

[ASSISTIR AO DEPOIMENTO COMPLETO]

VOCÊ NÃO PRECISA TER TODAS AS RESPOSTAS SOZINHA

Perceber que seu filho apresenta comportamentos diferentes não significa que você precise chegar imediatamente a uma conclusão.

Também não significa que você tenha feito alguma coisa errada.

Reconhecer sinais é, antes de tudo, uma oportunidade de compreender melhor a criança.

Quanto mais cedo uma dificuldade é percebida, maior pode ser a oportunidade de buscar as avaliações e os suportes adequados para aquela criança.

O objetivo não é colocar um rótulo.

É entender como aquela criança percebe o mundo, como se comunica, como aprende, como se relaciona e quais são suas necessidades.

Cada criança é única.

E uma avaliação cuidadosa pode ajudar a família a tomar decisões com mais segurança e menos medo.

QUER ENTENDER MELHOR O FUNCIONAMENTO DO SEU FILHO?

Se você reconheceu alguns dos sinais apresentados neste artigo e sente que gostaria de compreender melhor o desenvolvimento do seu filho, o primeiro passo é uma avaliação individualizada.

Na Brain Healthy Institute, buscamos compreender a criança antes de definir qualquer estratégia de treinamento.

Atendemos famílias em São Paulo e Jundiaí, com uma abordagem individualizada e integrada às necessidades de cada criança.

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SOBRE A AUTORA

Fernanda B. França
Neuropsicóloga | Fundadora da Brain Healthy Institute

Atua há mais de 10 anos com avaliação do funcionamento cerebral, Neurofeedback e acompanhamento individualizado de crianças, adolescentes e adultos.

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