TDAH Infantil: sinais de que seu filho pode ter TDAH — além da hiperatividade
Conheça sinais que podem passar despercebidos e entenda como a avaliação e o tratamento com Neurofeedback podem ajudar.
TDAH
Fernanda B. Francah
9/11/20268 min read


Quando se fala em TDAH, muitas pessoas imaginam imediatamente uma criança que não para quieta, fala o tempo todo, interrompe os outros e tem dificuldade para permanecer sentada.
Mas o TDAH pode se manifestar de diferentes maneiras.
Algumas crianças são muito agitadas e impulsivas. Outras parecem distraídas, esquecem o que acabaram de ouvir, perdem objetos e precisam ser lembradas repetidamente das mesmas tarefas.
Há também crianças que conseguem manter um bom desempenho durante os primeiros anos escolares e só começam a apresentar dificuldades quando as exigências aumentam.
Por isso, TDAH infantil não se resume à hiperatividade.
E reconhecer os sinais nem sempre é simples.
O que é TDAH?
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade que interfere no funcionamento da criança.
Isso significa que as dificuldades não devem ser interpretadas simplesmente como falta de disciplina, preguiça ou falta de vontade.
Uma criança pode querer prestar atenção e ainda assim ter dificuldade para sustentar o foco.
Pode saber que deveria esperar sua vez, mas agir impulsivamente.
Pode querer se organizar, mas esquecer materiais, perder objetos ou não conseguir planejar uma sequência de tarefas.
Isso não significa que limites e responsabilidades deixem de ser importantes.
Significa que compreender a dificuldade permite escolher estratégias mais adequadas para ajudar a criança.
TDAH vai muito além da hiperatividade
O TDAH pode apresentar diferentes manifestações. De forma geral, são consideradas três apresentações:
Predominantemente desatenta
A criança pode:
· ter dificuldade para manter a atenção em tarefas;
· parecer não ouvir quando é chamada;
· esquecer instruções;
· perder materiais com frequência;
· apresentar dificuldade para organizar atividades;
· distrair-se facilmente;
· evitar tarefas que exigem esforço mental prolongado;
· esquecer compromissos e atividades do cotidiano.
Como não necessariamente apresenta comportamentos disruptivos, essa apresentação pode passar despercebida.
A criança pode ser considerada apenas distraída, desorganizada ou desinteressada.
Mas, quando essas características são persistentes e interferem em sua vida, precisam ser investigadas.
Predominantemente hiperativa/impulsiva
Nesse caso, podem aparecer características como:
· movimentar-se excessivamente;
· ter dificuldade para permanecer sentada quando esperado;
· falar excessivamente;
· interromper conversas;
· responder antes que a pergunta termine;
· ter dificuldade para esperar sua vez;
· agir sem pensar nas consequências;
· apresentar necessidade constante de movimento ou estímulo.
É a apresentação mais facilmente reconhecida como TDAH.
Mas uma criança ser ativa, falante ou energética não significa, por si só, que tenha TDAH.
O que importa é observar a persistência, a intensidade e o impacto desses comportamentos.
Apresentação combinada
Algumas crianças apresentam tanto sintomas de desatenção quanto de hiperatividade e impulsividade.
Nesses casos, as dificuldades podem aparecer de maneira mais evidente na escola e em casa, afetando a organização, o desempenho acadêmico, os relacionamentos e a rotina familiar.
Mas existem outras manifestações que também merecem atenção.
Sinais que podem passar despercebidos
Dificuldade para regular as emoções
Algumas crianças apresentam reações emocionais muito intensas.
Podem ter dificuldade para lidar com frustrações, demorar para se acalmar ou reagir de maneira muito intensa diante de situações que parecem pequenas para os adultos.
Isso não significa que toda dificuldade emocional seja consequência do TDAH.
Mas, quando essas características aparecem associadas a outros sinais, podem fazer parte do quadro e devem ser compreendidas.
Dificuldade para mudar de atividade
A criança está brincando.
Você avisa: “Daqui a cinco minutos vamos guardar os brinquedos.”
O tempo passa.
“Agora é hora de parar.”
E começa uma grande resistência.
Algumas crianças apresentam dificuldade para interromper uma atividade e direcionar a atenção para outra, principalmente quando estão muito envolvidas com algo que consideram interessante.
Essa dificuldade pode estar relacionada à autorregulação e à flexibilidade cognitiva.
Nem sempre é simplesmente desobediência.
Dificuldade de organização e planejamento
A criança sabe que tem uma tarefa, mas não consegue organizar por onde começar.
Esquece materiais.
Perde objetos.
Deixa trabalhos para a última hora.
Precisa de lembretes constantes.
Tem dificuldade para dividir uma atividade grande em etapas menores.
Essas situações podem estar relacionadas às funções executivas, que participam de processos como planejamento, organização, controle e execução de comportamentos direcionados a objetivos.
E quando a criança consegue passar horas concentrada em algo?
Essa é uma dúvida comum dos pais:
“Se meu filho tem TDAH, como ele consegue ficar horas no videogame?”
TDAH não significa simplesmente ausência de atenção.
A dificuldade pode estar relacionada à regulação da atenção.
Uma criança pode apresentar grande envolvimento com uma atividade interessante, nova ou altamente estimulante e, ao mesmo tempo, ter dificuldade para manter o foco em uma tarefa escolar menos estimulante.
Por isso, ela pode passar muito tempo concentrada em um jogo e ter dificuldade para permanecer 20 minutos fazendo uma lição.
Isso não significa necessariamente que ela “só presta atenção quando quer”.
As demandas atencionais podem ser diferentes em cada situação.
Por que algumas crianças com TDAH passam despercebidas?
Nem sempre os sinais são evidentes.
Meninas
Meninas podem apresentar predominantemente dificuldades de atenção e menos comportamentos hiperativos visíveis.
Por isso, algumas passam anos sendo consideradas apenas distraídas, desorganizadas ou excessivamente sensíveis.
Crianças com bom desempenho acadêmico
Uma criança com boas habilidades cognitivas pode desenvolver estratégias para compensar determinadas dificuldades durante algum tempo.
Pode conseguir boas notas, memorizar conteúdos rapidamente ou encontrar maneiras próprias de contornar suas dificuldades.
Mas, quando as exigências aumentam, essas estratégias podem deixar de ser suficientes.
Quando existem outras dificuldades
Ansiedade, alterações do sono, dificuldades de aprendizagem e outras condições podem produzir sinais semelhantes aos do TDAH.
Também podem coexistir com o transtorno.
Por isso, uma avaliação precisa considerar o conjunto de características da criança e o contexto em que elas aparecem.
Quando é mais do que uma fase?
Toda criança pode esquecer alguma coisa.
Pode ficar agitada.
Pode perder objetos.
Pode se distrair.
Pode interromper uma conversa.
Esses comportamentos fazem parte do desenvolvimento infantil.
A questão é quando eles formam um padrão persistente, frequente e prejudicial ao funcionamento da criança.
Na avaliação do TDAH, é importante considerar, entre outros aspectos:
· há quanto tempo os sintomas estão presentes;
· em quais ambientes aparecem;
· se ocorrem em casa e na escola;
· qual é a intensidade das dificuldades;
· quanto interferem na aprendizagem e nos relacionamentos;
· se existem outras condições que podem explicar ou contribuir para os sintomas.
Por isso, alguns comportamentos isolados não são suficientes para concluir que uma criança tem TDAH.
O impacto pode ir além da escola
Quando uma criança enfrenta dificuldades repetidamente sem que elas sejam compreendidas, pode começar a receber mensagens negativas:
“Você não presta atenção.”
“Você é preguiçoso.”
“Você não se esforça.”
“Você só faz quando quer.”
Com o tempo, essas experiências podem afetar a autoestima, a relação com a escola e a dinâmica familiar.
Por isso, compreender o que está acontecendo não significa retirar responsabilidades da criança.
Significa encontrar formas mais eficazes de ajudá-la a desenvolver suas habilidades.
TDAH tem tratamento
O diagnóstico de TDAH não determina sozinho como será o desenvolvimento de uma criança.
Existem diferentes possibilidades de tratamento, e a escolha deve considerar as características, necessidades e contexto de cada paciente.
Dependendo do caso, o tratamento pode envolver:
· orientação aos pais;
· intervenções comportamentais;
· estratégias e adaptações escolares;
· psicoterapia, quando indicada;
· tratamento de condições associadas;
· medicação, quando indicada pelo médico;
· Neurofeedback;
· outras intervenções específicas, de acordo com a avaliação.
O tratamento não precisa ser igual para todas as crianças.
O que funciona para uma pode não ser a melhor estratégia para outra.
Neurofeedback no tratamento do TDAH
O Neurofeedback é uma modalidade de neuromodulação e treinamento cerebral utilizada para trabalhar processos relacionados à autorregulação cerebral.
Durante as sessões, a atividade elétrica cerebral é monitorada em tempo real e transformada em um feedback que a criança consegue perceber por meio de estímulos visuais, sonoros ou de outros formatos.
A partir desse feedback e da repetição das sessões, o cérebro é treinado a reconhecer e favorecer determinados padrões de funcionamento.
No tratamento do TDAH, o Neurofeedback pode ser utilizado com o objetivo de trabalhar aspectos relacionados ao funcionamento cerebral envolvidos nas dificuldades apresentadas, especialmente processos relacionados à atenção e autorregulação.
Mas existe um ponto fundamental: O Neurofeedback não deve ser definido apenas porque a criança recebeu o diagnóstico de TDAH.
O TDAH pode se manifestar de maneiras diferentes.
Uma criança pode apresentar predominantemente desatenção.
Outra pode ter maior impulsividade.
Outra pode apresentar dificuldades de atenção associadas a ansiedade, alterações do sono, dificuldades de aprendizagem ou outras condições.
Por isso, o tratamento precisa partir da compreensão individual daquele paciente.
Como fazemos na Brain Healthy?
Na Brain Healthy Institute, a avaliação não parte apenas da pergunta:
“A criança tem TDAH?”
Buscamos compreender como essa criança funciona, de forma individualizada, considerando sua história clínica, desenvolvimento, características apresentadas e funcionamento cognitivo e comportamental.
A avaliação neurofuncional é realizada por meio do mapeamento cerebral com QEEG de 19 canais, que permite analisar a atividade elétrica cerebral e identificar padrões relacionados ao funcionamento neurofisiológico do paciente.
O mapeamento cerebral amplia a compreensão sobre o funcionamento cerebral e fornece informações importantes para a definição das estratégias de treinamento.
Assim, o tratamento é planejado a partir das características e necessidades específicas de cada paciente, e não apenas a partir do diagnóstico.
Assim, não partimos de um protocolo único para todas as crianças com TDAH.
O diagnóstico pode ser o mesmo. O funcionamento cerebral pode ser diferente.
E o tratamento precisa considerar essa diferença.
Por que o tratamento precisa ser individualizado?
Imagine duas crianças.
As duas receberam diagnóstico de TDAH.
Uma apresenta dificuldade importante para sustentar a atenção.
A outra é extremamente impulsiva e tem dificuldade para controlar respostas e comportamentos.
Embora compartilhem o mesmo diagnóstico, o funcionamento cerebral pode ser diferente, assim como as necessidades de cada criança.
É por isso que, antes de definir um tratamento, precisamos compreender quais dificuldades estão presentes, como elas se manifestam e quais fatores podem estar contribuindo para os sintomas.
Essa compreensão orienta a escolha das estratégias.
O cérebro da criança está em desenvolvimento
A infância e a adolescência são períodos de intenso desenvolvimento cerebral.
Experiências, aprendizagem e intervenções podem participar desse processo.
Por isso, identificar dificuldades e oferecer tratamento adequado pode ser importante para ajudar a criança a desenvolver recursos para lidar melhor com suas demandas.
O mais importante é não deixar uma dificuldade persistente sem investigação e sem suporte adequado.
Como saber se seu filho precisa de uma avaliação?
Uma avaliação profissional pode ser indicada quando você percebe um padrão persistente de dificuldades como:
· desatenção frequente;
· dificuldade importante para seguir instruções;
· desorganização acima do esperado para a idade;
· impulsividade significativa;
· dificuldade para concluir tarefas;
· problemas recorrentes na escola;
· dificuldade para administrar atividades do cotidiano;
· conflitos frequentes relacionados ao comportamento;
· dificuldades sociais;
· grande esforço para realizar tarefas que outras crianças da mesma idade realizam com mais facilidade.
O objetivo não é simplesmente colocar um rótulo.
É compreender o que está acontecendo e quais estratégias de tratamento podem ajudar.
Mais atenção! Nem toda dificuldade de atenção é TDAH
Essa é uma distinção importante.
Uma criança pode apresentar dificuldade de concentração por diferentes motivos:
sono inadequado, ansiedade, estresse, dificuldades de aprendizagem, alterações emocionais, sobrecarga ou outras condições.
O TDAH é uma possibilidade, mas não é a única.
Esses fatores também podem coexistir.
Por isso, uma avaliação adequada precisa olhar para a criança como um todo, considerando seu desenvolvimento, sua história e os diferentes ambientes em que ela está inserida.
Seu filho é único. O tratamento também precisa ser.
Conheça a avaliação neurofuncional da Brain Healthy Institute.
Treine seu cérebro. Mude sua vida.
Sobre a autora
Fernanda B. Francah
Psicóloga | Neuropsicóloga | Especialista em Neuromodulação
Diretora da Brain Healthy Institute
Atendimento em São Paulo – Pinheiros | Jundiaí
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